Depois das palavras da misteriosa mulher, Virtün conseguiu deitar o homem novamente para que ele descansasse, pois mesmo se recuperando rápido, ainda precisava de cuidados. Após algumas palavras tranqüilas, o sono caiu sobre o enfermo e Virtün pôde também descansar. Afinal, havia três dias que não dormia direito, desde que o haviam encontrado no deserto, agonizante.
Desidratado e com queimaduras no corpo devido ao sol forte, ele estava desacordado, mas ao mesmo tempo delirante. Murmurava coisas incompreensíveis e suava muito. Ao levantarem ele para colocá-lo em um dos cavalos seu corpo não se moveu, estava rígido como rocha. O único movimento era dos olhos por baixo das pálpebras, que se moviam freneticamente e da boca que se abria apenas o suficiente para liberar os murmúrios.
Poucos achavam que ele fosse viver, porém Virtün achou estranho aquele homem com feições diferentes de todos daquela parte do mundo. Tinha perguntas e também não podia deixar alguém indefeso para morrer e ser comido pelos abutres.
Com a infusão de algumas ervas especiais que poucas pessoas conheciam, embebeu alguns panos e os colocou no corpo do moribundo, sussurrando palavras de cura e concentrando sua energia para o homem a sua frente. Assim que o corpo dele estava um pouco mais relaxado, colocou-o em sobre o próprio cavalo com a ajuda de alguns companheiros e caminhou ao seu lado durante toda a noite.
À manhã, encontraram as ruínas de uma cidade antiga, abandonada há anos, porém, não a muitos. Ali se instalaram enquanto Virtün realizava seus trabalhos de cura. Todos estavam impacientes, não sem razão, e alguns achavam que o melhor era deixá-lo ali para morrer.
O seu líder, porém, que confiava na palavra de Virtün e possuía coração bom, não deixou que aqueles comentários crescessem ou se espalhassem e acalmou o coração de todos. Sentia ele também o perigo que se aproximava, mas acreditava que o tempo seria suficiente e confiava nas habilidades do amigo.
Sua confiança era justificada. Sua esperança, no entanto, não tinha fundamento.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Despertar
Depois de muito abraçar o amigo e descobrir que seu nome era Virtün, se virou para a moça de cabelos e olhos negros e pele queimada do sol para lhe agradecer também.
Ao abrir a boca para começar a falar, ela se abaixou até a altura dos seus olhos e com um dedo sobre seus lábios, o fez desistir de falar.
- Não precisa agradecer. Creio que nosso amigo aqui já tenha escutado agradecimentos suficientes por nós dois.
Ele escutou atento, pois a voz que escutava era doce e firme, tão bela quanto a voz da mais encantadora ninfa e mais sedutora do que a canção de mil sereias. No seu olhar havia ternura e compaixão por aquele homem que despertara a pouco, além da expectativa de qualquer um. O toque da pele dela com a dele, foi como o carinho de dois amantes. Todas essas sensações o deixaram perplexo e sua mente se encarregou de gravar essas sensações para que nunca mais, enquanto ele vivesse, esquecesse desse momento. Sem reação, apenas ficou encarando aqueles olhos profundos como o leito do mar.
Ela então se levantou novamente e deu as costas para o homem que continuava de boca aberta para pronunciar algo, mas completamente sem fala. Enquanto se encaminhava para a porta, escutou ruídos atrás de si e olhou por cima do ombro. O homem se sentou, com certa dificuldade e lhe lançava um olhar inquisitivo. Parou próxima a porta e se apoiou no arco dela. Com um aceno de cabeça, lançou a permissão para que ele fizesse a pergunta.
-Desculpe, mas... Qual o seu nome?
Ela sorriu e seu sorriso pareceu iluminar o quarto. Analisou o homem sentado a sua frente, ainda frágil e pôde ver que naqueles olhos queimava um fogo incessante, que deve ter sido o que o manteve vivo no deserto cruel. Um pensamento lhe passou pela cabeça e ela o imaginou como uma criança. Uma criança curiosa e teimosa. Mesmo sob a barba de um homem adulto, aquela imagem ainda era visível.
- Desculpe, não posso lhe dizer. Pelo menos não agora – disse ela.
- Mas por que não? O que lhe impede? - retrucou ele.
-Ora, uma mulher deve ser como a Lua – disse ela, enquanto avançava até seu questionador – Mesmo que seja contemplada em todo seu esplendor e beleza, nunca vai se mostrar por completo a primeira vista. É necessário observar e apreciar, a cada noite que passa, seus movimentos sutis e descobri-la aos poucos. Se quiser me conhecer, seja paciente e espere, como esperam todos que da Lua dependem.
E dizendo isso, se virou e cruzou a porta, dessa vez sem hesitar, deixando para trás dois homens, um sorrindo e o outro com olhar confuso por não ter resposta para as perguntas na sua cabeça. Sabendo disso, ficou satisfeita e sorriu também.
Ao abrir a boca para começar a falar, ela se abaixou até a altura dos seus olhos e com um dedo sobre seus lábios, o fez desistir de falar.
- Não precisa agradecer. Creio que nosso amigo aqui já tenha escutado agradecimentos suficientes por nós dois.
Ele escutou atento, pois a voz que escutava era doce e firme, tão bela quanto a voz da mais encantadora ninfa e mais sedutora do que a canção de mil sereias. No seu olhar havia ternura e compaixão por aquele homem que despertara a pouco, além da expectativa de qualquer um. O toque da pele dela com a dele, foi como o carinho de dois amantes. Todas essas sensações o deixaram perplexo e sua mente se encarregou de gravar essas sensações para que nunca mais, enquanto ele vivesse, esquecesse desse momento. Sem reação, apenas ficou encarando aqueles olhos profundos como o leito do mar.
Ela então se levantou novamente e deu as costas para o homem que continuava de boca aberta para pronunciar algo, mas completamente sem fala. Enquanto se encaminhava para a porta, escutou ruídos atrás de si e olhou por cima do ombro. O homem se sentou, com certa dificuldade e lhe lançava um olhar inquisitivo. Parou próxima a porta e se apoiou no arco dela. Com um aceno de cabeça, lançou a permissão para que ele fizesse a pergunta.
-Desculpe, mas... Qual o seu nome?
Ela sorriu e seu sorriso pareceu iluminar o quarto. Analisou o homem sentado a sua frente, ainda frágil e pôde ver que naqueles olhos queimava um fogo incessante, que deve ter sido o que o manteve vivo no deserto cruel. Um pensamento lhe passou pela cabeça e ela o imaginou como uma criança. Uma criança curiosa e teimosa. Mesmo sob a barba de um homem adulto, aquela imagem ainda era visível.
- Desculpe, não posso lhe dizer. Pelo menos não agora – disse ela.
- Mas por que não? O que lhe impede? - retrucou ele.
-Ora, uma mulher deve ser como a Lua – disse ela, enquanto avançava até seu questionador – Mesmo que seja contemplada em todo seu esplendor e beleza, nunca vai se mostrar por completo a primeira vista. É necessário observar e apreciar, a cada noite que passa, seus movimentos sutis e descobri-la aos poucos. Se quiser me conhecer, seja paciente e espere, como esperam todos que da Lua dependem.
E dizendo isso, se virou e cruzou a porta, dessa vez sem hesitar, deixando para trás dois homens, um sorrindo e o outro com olhar confuso por não ter resposta para as perguntas na sua cabeça. Sabendo disso, ficou satisfeita e sorriu também.
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