Sentindo o frescor de água no rosto, abriu os olhos lentamente. Não sabia dizer se era real, mas via um rosto amigo a sua frente. Não era conhecido, só sabia que era amigo e ele parecia estar... cuidando dele? Porque alguém que morreu precisa de cuidados? O amigo o levantou e levou uma pequena vasilha com água até sua boca. Ele olhou em volta após beber a água e viu que estava em um quarto simples, deitado sobre uma cama rústica. Sempre imaginou que o que havia do outro lado fosse algo muito bom para quem merecia ou sofrimento eterno para quem tivesse realizado fatos que não devem ser lembrados. Aquilo era tão simples e o amigo continuava tratando dele. Tentou falar, mas não conseguiu, sua língua nem se mexeu. O amigo sorriu e fez sinal para que não tentasse se mexer e saiu do quarto.
Então, escutou vozes próximas, vindas de outro cômodo. Falavam sobre ele. Uma fazia perguntas sobre o seu estado e a outra respondia, falando principalmente de sua recuperação extraordinária. Seria mesmo possível? Apenas pessoas vivas se recuperam de alguma coisa. Com a clareza desse pensamento, ele sentou-se rapidamente e, com os olhos arregalados de espanto, gritou:
- EU ESTOU VIVO!
O amigo e o dono – na verdade, dona – da outra voz entraram correndo no quarto e foram até ele. O amigo tentou fazê-lo deitar de novo, mas foi pego pelos ombros e escutou outro grito de uma distância inconvenientemente próxima. A moça riu do homem que gritava sorrindo, afinal, não era todo dia que se via alguém com tanta vontade de viver.
terça-feira, 29 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Morte
A sombra do que um dia foi um homem se arrastava pelo deserto, fugindo da morte.
O deserto castigava o corpo machucado dele, que já fora um grande guerreiro. Durante o dia, o sol lhe cozinhava a pele e a noite trazia o frio que tirava suas energias rapidamente. Para completar, o veneno no seu sangue lentamente ia lhe tirando os movimentos. Já não pensava mais na fome ou na sede. Só pensava na vida. Em tudo que ainda precisava fazer antes de partir e com esse pensamento, agarrava-se com força no último fio de vida que lhe restava.
Durante o primeiro dia no imenso deserto, deixou para trás parte de suas roupas e sua armadura, devido ao calor. Se arrependimento matasse, ele teria morrido na primeira hora após o por do sol, devido ao frio penetrante.
Durante a terceira noite, porém, sua força de vontade não foi suficiente e ele sucumbiu ao deserto. Enquanto sua visão escurecia, ele olhou para a lua vigilante, e pensou no fim. Era pior do que ele imaginava.
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