Rapidamente, todos se reuniram no centro da cidade desértica, onde agora estava o líder do bando de mãos dadas com a misteriosa mulher, chamada Jaquiel, mas isso não era do conhecimento de todos ali. Ele segurava na mão direita uma lança comprida com uma lâmina estranha e tosca, enquanto ela carregava na cintura duas espadas, uma de lâmina fina e comprida, quase tocando o chão e a outra de lâmina mais larga e curta, chegando à altura do joelho. As roupas de cores escuras, com exceção de uma peça ou outra, eram simples e não forneciam grande proteção, mas mesmo assim, não utilizavam nada além disso.
Ambos altos e morenos, de cabelos negros e olhos desafiadores, olhavam agora sorridentes para todos a sua volta. O porte altivo de ambos fazia com que parecessem reis, prestes a um anúncio muito importante. No entanto, não possuíam sangue nobre e muito menos desejavam isso ou invejavam aos reis, muito pelo contrário. Não serviam a rei algum e eram caçados por vários, mas mesmo assim, eram quase que venerados pela hoste que lhes seguia.
O que eles precisavam falar agora, no entanto, traria dor e sofrimento mais tarde. Eles sabiam disso e todos ali presentes também, antes mesmo de qualquer palavra ser pronunciada. Com todos atentos aos seus rostos e ansiosos por suas palavras, eles disseram em uníssono:
-Irmãos! Hoje a Morte dança ao nosso lado! Vamos acolhê-la bem e indicar os melhores parceiros para sua valsa final.
Aqui, apenas ele continuou falando, enquanto a dama se afastou enquanto dobrava um pequeno pedaço de pano até ficar do tamanho exato para cobrir seus olhos.
-Alguns de nós não irão comemorar a vitória amanhã, talvez eu mesmo seja um deles. Porém, sairemos vitoriosos e aqueles dos nossos inimigos que fugirem com vida, contaram nossas façanhas para toda gente. Nosso inimigo se aproxima escondido com artimanhas e feitiços. Vamos mostrar para ele que nada pode fugir a fúria de uma tempestade do deserto!
E mais uma vez todos bradaram confiantes, sem medo no coração e novamente o chão tremeu. Mas não pela última vez naquele dia. Mas pela última vez antes da luta, ele falou a seus companheiros.
-Tragam os barris – ele disse para alguns homens próximos e essas foram as últimas palavras para eles antes da luta.