Longe de todo o alvoroço, estava a mente de Fingham, filho de alguém e pai de ninguém. Depois de quase morrer, agora tinha o primeiro sono revigorante, onde poderia descansar e não apenas se recuperar. E depois de muito tempo, junto com o sono, veio o sonho. Sonho que ele nunca mais esqueceria e que o atormentaria por muito tempo ainda, assombrando suas noites.
A neve cai sobre a floresta de árvores altas e raízes grossas. Entre elas, uma companhia de cavaleiros se move devagar, conversando e rindo alto. Estão armados, mas não se dirigem a nenhuma luta. Todos possuem o porte de reis e suas armaduras brilhantes e cavalos poderosos realçam isso. Cada um com o brasão de sua casa gravado no peito, mostra que suas raças são diferentes, mas andam lado a lado como irmãos.
Os jovens homens, os belos elfos e os bravos anões. Reis e rainhas desconhecidos para Fingham que observa tudo sem ter um corpo presente, como um fantasma assombrando um bosque. Entretanto, em meio a todos, ele reconhece um rosto. Uma rainha que a muito esteve em seus sonhos. E perante tal rosto, ele sussurra seu nome.
- Sophia...
Porém, assim que a voz sai de sua boca, sombras começam a encobrir a floresta e os cavalos ficam nervosos. O céu, antes branco das nuvens, escurece e uma risada fria e má enche o ar. O ar se torna pesado e o medo se instaura no coração de todos. No meio da confusão, ele consegue distinguir outro rosto, mais que familiar. O seu próprio.
Após isso, tudo foi trevas e sombras mais pesadas que montanhas inteiras tomaram conta de tudo. Gritos e o relinchar dos cavalos se misturaram a terrível risada que aumentava de intensidade e vinha de todo lado, mas sem origem aparente, a não ser as próprias sombras.
Em poucos instantes, porém, tudo se calou e as sombras passaram. Apenas o riso malévolo permanecia, mais fraco, mas sempre presente, como alguém que ri de um adversário humilhado. E assim que as sombras desapareceram a luz revelou uma cena terrível.
Cavalos e cavaleiros estavam todos jogados no chão, mortos. A neve coberta de sangue e os brasões de suas armaduras haviam sido cobertos por desenhos de sangue. A visão de todos mortos, fez Fingham estremecer e a risada cessou nesse momento. Então, uma voz terrível começou a falar e ela a conhecia também.
-Vejo que escapou da morte que eu havia planejado você, nobre Ninguém. Pois não conte com tal sorte novamente. Eu vejo você, sei onde está e o que sente. Tudo que você mais preza será destruído. Derramarei o sangue daqueles que ama e eles sucumbirão lentamente, enquanto me delicio com sua dor. Assim falou Nagrand e assim vai ser.
Após essas palavras, um enorme estrondo tirou Fingham de seu pesadelo, que na verdade era uma mensagem, e ao sair da casa onde se encontrava, pensou que o que havia dito já estava acontecendo. Nesse momento, ódio e medo se misturaram em seu coração e ele ficou paralisado.
domingo, 15 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Notícias
Do oeste, um batedor com vestes da mesma cor da areia, chegou cavalgando rápido. Foi até o centro da cidade onde estavam todos e desmontou para passar no meio de todos e se dirigiu, mancando, até o comandante. Sentado sob a sombra de uma tenda, ele observava todos e ao ver o batedor chegando, levantou-se e foi ao seu encontro.
- O que aconteceu com a sua perna? Quando saiu daqui não mancavas.
- Senhor, - disse o batedor - fui atingido por uma flecha, mas isso não importa. A batalha é iminente.
O silêncio caiu sobre todos, que escutavam com atenção o relato. Após as últimas palavras, alguns murmuraram que deviam ter partido muito antes e deixado o estranho no deserto.
- Silêncio! – bradou o líder e as vozes cessaram – Continue. Como eles chegaram tão rápido?
- Não sei lhe dizer isso senhor, mas eles estão viajando carregados e rapidamente. Algo os encobre, não é possível vê-los até que estejam próximos o suficiente para que possam vê-lo também. Os arqueiros parecem ter olhos de águia. Estou vivo por sorte, uma rajada de vento desviou a flecha que provavelmente me acertaria no coração. Não é natural, senhor. Não se parecem com os homens que estudamos por tanto tempo...
- Então vamos empacotar tudo e sair rápido daqui! Homens apressem-se!
- Não há tempo! Eles nos alcançarão antes de começarmos a nos mover. Chegarão antes que o sol comece a cair.
Por um momento o único som que se ouvia era o do vento, passando entre os espaços das casas e assobiando sua triste música. Então, mais uma vez o líder daqueles homens falou, e agora sua voz foi forte como um trovão, e pôde ser ouvida por todos que estavam naquela cidade abandonada, perto ou longe.
- Muito bem, vocês escutaram! O inimigo se aproxima e a batalha nos aguarda! Peguem suas armas e preparem-se, pois não sabemos o que nos aguarda, mas eles também não sabem o que os aguarda.
Disse isso e com a mão fechada em punho acima da cabeça, urrou. E seu urro foi seguido de dezenas de outros, e somados, pareciam o rugido de leões enfurecidos. Esse rugido pôde ser ouvido de muito longe, e a terra sob os pés de seus inimigos tremeu.
- O que aconteceu com a sua perna? Quando saiu daqui não mancavas.
- Senhor, - disse o batedor - fui atingido por uma flecha, mas isso não importa. A batalha é iminente.
O silêncio caiu sobre todos, que escutavam com atenção o relato. Após as últimas palavras, alguns murmuraram que deviam ter partido muito antes e deixado o estranho no deserto.
- Silêncio! – bradou o líder e as vozes cessaram – Continue. Como eles chegaram tão rápido?
- Não sei lhe dizer isso senhor, mas eles estão viajando carregados e rapidamente. Algo os encobre, não é possível vê-los até que estejam próximos o suficiente para que possam vê-lo também. Os arqueiros parecem ter olhos de águia. Estou vivo por sorte, uma rajada de vento desviou a flecha que provavelmente me acertaria no coração. Não é natural, senhor. Não se parecem com os homens que estudamos por tanto tempo...
- Então vamos empacotar tudo e sair rápido daqui! Homens apressem-se!
- Não há tempo! Eles nos alcançarão antes de começarmos a nos mover. Chegarão antes que o sol comece a cair.
Por um momento o único som que se ouvia era o do vento, passando entre os espaços das casas e assobiando sua triste música. Então, mais uma vez o líder daqueles homens falou, e agora sua voz foi forte como um trovão, e pôde ser ouvida por todos que estavam naquela cidade abandonada, perto ou longe.
- Muito bem, vocês escutaram! O inimigo se aproxima e a batalha nos aguarda! Peguem suas armas e preparem-se, pois não sabemos o que nos aguarda, mas eles também não sabem o que os aguarda.
Disse isso e com a mão fechada em punho acima da cabeça, urrou. E seu urro foi seguido de dezenas de outros, e somados, pareciam o rugido de leões enfurecidos. Esse rugido pôde ser ouvido de muito longe, e a terra sob os pés de seus inimigos tremeu.
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