terça-feira, 29 de junho de 2010

Vida

Sentindo o frescor de água no rosto, abriu os olhos lentamente. Não sabia dizer se era real, mas via um rosto amigo a sua frente. Não era conhecido, só sabia que era amigo e ele parecia estar... cuidando dele? Porque alguém que morreu precisa de cuidados? O amigo o levantou e levou uma pequena vasilha com água até sua boca. Ele olhou em volta após beber a água e viu que estava em um quarto simples, deitado sobre uma cama rústica. Sempre imaginou que o que havia do outro lado fosse algo muito bom para quem merecia ou sofrimento eterno para quem tivesse realizado fatos que não devem ser lembrados. Aquilo era tão simples e o amigo continuava tratando dele. Tentou falar, mas não conseguiu, sua língua nem se mexeu. O amigo sorriu e fez sinal para que não tentasse se mexer e saiu do quarto.

Então, escutou vozes próximas, vindas de outro cômodo. Falavam sobre ele. Uma fazia perguntas sobre o seu estado e a outra respondia, falando principalmente de sua recuperação extraordinária. Seria mesmo possível? Apenas pessoas vivas se recuperam de alguma coisa. Com a clareza desse pensamento, ele sentou-se rapidamente e, com os olhos arregalados de espanto, gritou:

- EU ESTOU VIVO!

O amigo e o dono – na verdade, dona – da outra voz entraram correndo no quarto e foram até ele. O amigo tentou fazê-lo deitar de novo, mas foi pego pelos ombros e escutou outro grito de uma distância inconvenientemente próxima. A moça riu do homem que gritava sorrindo, afinal, não era todo dia que se via alguém com tanta vontade de viver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário