Ali estava ele, caminhado em meio às ruínas de mais uma cidade que havia sido tragada pela terra e que por milagre, ou mágica, ele não sabia dizer, ficou escondida dentro de uma caverna. Ao invés de ter sido soterrada, a cidade simplesmente afundou e foi tapada com terra, como se faz quando se prepara uma armadilha camuflada. O túnel que levava a antiga metrópole foi descoberto por acaso, com um tropeço e um tombo seguido de 20 metros de descida rolando.
A saída do ar quente e seco do deserto atômico e a entrada no ar úmido e fresco do subterrâneo foi o que lhe despertou o interesse por aquele túnel. Estava cansado de passar calor e resolveu olhar um pouco por ali. Ajeitou a camiseta vermelha, a mochila preta e tirou a poeira dos ombros e do resto do corpo todo. Colocou a mão na cintura e percebeu que a arma que carregava ali, uma pistola semi-automática leve, do modelo usado pela polícia quando ela ainda existia, não estava no lugar. Olhou em volta e viu um robô segurando a arma apontada para ele. Caminhou até ele e pegou a arma que estava sendo devolvida. Levantou um pouco os braços e avaliou a situação. A calça continuava intacta, a faca enferrujada à esquerda da cintura e a 9mm na direita. Os sapatos de caminhada estavam bem amarrados e quase novos. Tudo pronto para continuar a expedição.
Com um sinal, recomeçou a andar túnel adentro, seguido pelo pequeno robô vermelho, mais parecido com uma grande caixa com esteiras de andar. Assim que a luz começou a ficar fraca demais, o robô ligou duas lanternas. Com a mão direita, o rapaz pegou uma das lanternas do pequeno autômato e começou a rastrear um lado do túnel, enquanto a máquina fazia o mesmo com o outro lado.
A descida foi rápida, aproximadamente 20 minutos e não teve surpresas. O túnel era bem seguro e em alguns momentos ele teve a sensação de que a pedra tinha sido escavada a mão. Ao chegar ao final dele, teve certeza. A visão da cidade subterrânea o fez perder o fôlego por alguns instantes e o seu companheiro soltou um apito baixo de assombro. Eles já haviam passado por diversas cidades grandes antes, mas aquela era enorme, com edifícios muito altos e estava embaixo da terra.
Por muito tempo eles exploraram a cidade, entraram em algumas construções inclusive, mas em nenhum momento se arriscaram a subir nos altos prédios. Encontraram algumas coisas úteis em armazéns e antigos mini-mercados. Procuraram por uma loja de armas, mas isso poderia levar muitas horas ou talvez até alguns dias.
Enquanto andavam, se depararam com uma praça e a segunda grande surpresa do dia: árvores. Não havia como entender a existência daquelas árvores ali, verdes e saudáveis, mas a presença delas era a prova incontestável da sua existência. Talvez o ar ali ainda fosse mais puro e tivesse oxigênio suficiente, ou então o solo fosse muito rico em minerais, mas aquelas eram definitivamente plantas saudáveis e algumas das últimas remanescentes no planeta.
Andando entre as árvores antigas, anteriores ao cataclismo mundial, eles avançaram para o interior do parque. Aos poucos começaram a ver árvores que se destacavam das outras por não serem tão cheias de vida e aos poucos encontraram algumas caídas e secas, até que em alguns pontos a terra estava claramente estéril. Após alguns metros andando sobre a terra sem vida, o terreno começou a ter um leve aclive. No topo da elevação, havia um monólito gigantesco, tão alto quanto muitos dos prédios que haviam visto no caminho.
De frente para o caminho de onde haviam vindo havia uma abertura na rocha e ao se aproximarem, puderam ver que havia algo parecido com uma câmara no seu interior. Chegando mais perto, puderam ver que no seu interior havia uma escada que descia em espiral para o centro do planeta. Parados em frente ao umbral, humano e máquina procuravam na memória por algo que fosse parecido com aquilo em algum tempo, mas a busca foi em vão. Não havia registro vivo de nada parecido com aquilo.
Com um aceno de mão, o robô recuou alguns metros e se fixou de frente para a entrada. Com um ruído metálico, dois pequenos compartimentos se abriram nas laterais da sua lataria e de dentro dele emergiram dois braços de ferro empunhando pequenas submetralhadoras que ficaram fixamente apontadas para a entrada. Satisfeito, ele fez um aceno com a cabeça e entrou no monólito.
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